Ligação grátis no telemóvel em troca de anúncios
Os utilizadores de telemóveis da Grã-Bretanha começaram a testar um novo serviço chamado Blyk, que oferece ligações e mensagens de texto gratuitas aos assinantes em troca da veiculação de anúncios nos seus aparelhos. A idéia por trás do Blyk não é nova; a Virgin Mobile, nos EUA, lançou um serviço similar no ano passado.
Mas a introdução do Blyk num dos mercados de telefonia móvel mais competitivos e tecnologicamente avançados significa que o serviço será observado de perto como um teste da viabilidade da publicidade móvel.
Em comparação com as centenas de bilhões de dólares que as operadoras de telefonia móvel geram anualmente em tarifas de ligações, mensagens de texto e outros serviços de rede, a publicidade móvel ainda é uma actividade minúscula. Analistas estimam que ela vai gerar receitas de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões neste ano no mundo.
Mas a actividade está aumentando – não só no lado do consumidor, com serviços como o Blyk, mas também nos bastidores. Operadoras de telefonia móvel, companhias de internet, agências de publicidade, novas empresas de tecnologia e até mesmo fabricantes de aparelhos telefónicos querem entrar no ramo. A razão do interesse em um actividade tão reduzida, dizem analistas, é que os gastos com publicidade móvel podem disparar. Estimativas do mercado variam entre US$ 5 bilhões e US$ 11 bilhões dentro de cinco anos.
Talvez o facto mais importante seja que as tarifas de ligações estão estagnadas ou em queda em muitos mercados, levando as operadoras a procurar novas fontes de rentabilidade. Todos os demais querem estar presentes no início, para o caso de a publicidade móvel se transformar numa mina de ouro.
“Há uma batalha em curso entre o mundo da internet e o mundo sem fio pelo controle das receitas com a publicidade móvel”, disse Patrick Parodi, diretor de marketing da Amobee Media Systems, especializada em publicidade online. Representantes do mundo da internet reforçam suas posições para uma incursão mais ousada na publicidade móvel. No mês passado, o Google anunciou um sistema para o envio de anúncios a páginas de internet móvel. Em agosto, o Yahoo adquiriu a Actionality, companhia de Munique especializada em inserir anúncios em videogames e outros conteúdos para dispositivos portáteis. Essa transação seguiu-se a duas aquisições de companhias de publicidade móvel em maio: a AOL comprou a Third Screen Media e a Microsoft comprou a ScreenTonic.
Dado o sucesso das companhias de internet, especialmente o Google, na exploração da publicidade online, “muitos supõem que elas tomarão o controle do mercado móvel”, disse Eden Zoller, analista da empresa de consultoria em telecomunicações Ovum. “Não é tão simples.” O maior atractivo da publicidade online é a capacidade de mostrar aos internautas anúncios relevantes, baseados nas páginas que eles visitam ou em termos de busca. No mundo móvel, contudo, as operadoras de telemóvel controlam as informações sobre os hábitos dos clientes, e é improvável que elas distribuam esses dados – e não só por razões de privacidade.
Fonte: Último Segundo
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